Vivemos um tempo em que a palavra “ética” é repetida à exaustão, mas raramente praticada. Fala-se de ética em discursos, campanhas, redes sociais e ambientes corporativos, enquanto a incoerência entre o que se diz e o que se faz se tornou quase normal. Este artigo propõe um retorno necessário: ética como postura interior, sustentada mesmo quando não há plateia.
A ética, em seu sentido clássico, nunca foi apenas um conjunto de regras externas. Para os antigos, especialmente na tradição grega, ética estava ligada ao caráter (ethos), ao modo habitual de viver. Não se trata de parecer correto, mas de ser correto, ainda que isso traga custos pessoais.
A vergonha, muitas vezes desprezada hoje, sempre foi um sinal de humanidade moral. Sentir vergonha não é fraqueza; é consciência. É o incômodo interno que surge quando percebemos que traímos nossos próprios valores. Uma sociedade sem vergonha é uma sociedade que perdeu seus freios internos e depende apenas de punições externas.
Outro ponto essencial é o olhar do outro. Não vivemos isolados. A ética nasce no convívio, no reconhecimento de que nossas ações impactam pessoas reais. Quando ignoramos isso, passamos a justificar qualquer comportamento em nome da conveniência pessoal.
A formação ética, portanto, não se dá por slogans ou treinamentos rápidos, mas por exemplo, repetição e coerência ao longo do tempo. Pais, educadores e líderes ensinam mais pelo que fazem do que pelo que dizem.
Retomar a ética como vergonha na cara é recuperar uma virtude antiga, simples e profundamente transformadora.
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