domingo, 11 de janeiro de 2026

Quando a Felicidade se Torna uma Tirania

 A felicidade, que deveria ser um bem desejável, tornou-se uma obrigação social. Somos pressionados a parecer felizes o tempo todo, como se tristeza, dor e frustração fossem sinais de fracasso pessoal. Este artigo propõe um olhar mais honesto e antigo sobre o tema.

Durante séculos, a filosofia tratou a felicidade com cautela. Para os estoicos, ela estava ligada à virtude; para os cristãos, ao sentido; para os sábios antigos, à vida bem ordenada — nunca ao prazer constante. A modernidade, porém, transformou a felicidade em produto e meta permanente.

O problema dessa lógica é simples: a vida real inclui perdas, limites e sofrimento. Quando acreditamos que deveríamos estar felizes o tempo todo, qualquer dor passa a parecer injusta ou insuportável. Assim nasce a angústia moderna.

Sofrer não significa que a vida perdeu valor. Pelo contrário, muitas vezes é no sofrimento que amadurecemos, aprofundamos relações e redefinimos prioridades. Uma vida boa não é uma vida sem dor, mas uma vida com sentido, assumida com responsabilidade.

Viver é escolher, e toda escolha implica renúncia. Aceitar isso nos liberta da ilusão de uma felicidade total e contínua. O que permanece é algo mais sólido: uma existência consciente, fiel aos próprios valores e capaz de atravessar tanto a alegria quanto a dor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário