Vivemos obcecados pela utilidade. Tudo precisa servir para algo, gerar resultado, produzir retorno. Nesse cenário, até a felicidade foi transformada em ferramenta: para render mais, vender mais, parecer melhor. Mas e se a felicidade não tivesse utilidade alguma?
Aquilo que realmente importa na vida raramente é útil. O amor não serve para nada. A beleza não serve para nada. A contemplação não serve para nada. E justamente por isso são essenciais. Quando tentamos justificar a felicidade por sua utilidade, nós a empobrecemos.
A boa vida, segundo a tradição clássica, não é a vida mais eficiente, mas a mais coerente. É aquela em que pensamento, palavra e ação caminham juntos. A felicidade, quando aparece, surge como consequência — nunca como meta direta.
O consumo promete felicidade imediata, mas entrega apenas prazer passageiro. A felicidade verdadeira exige presença, atenção e fidelidade aos próprios valores, algo que não pode ser comprado nem acelerado.
Talvez o maior erro do nosso tempo seja tentar controlar aquilo que só pode ser acolhido. A felicidade não precisa servir para nada. Ela acontece quando a vida está no lugar cerTO
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